22 junho 2016

A mulher dos patos

A presença de pathos o acoplamento introjetado de dilúvios que também são fluxos que são fluxos e objetos que são fluxos de objetos fragmentados e são fluxos de continuidade porque são objetos fragmentados em fluxos-objetos e patos
no pórtico entalhado por linhas insignificantes significado por olhos interpretantes as conexões circulares de rococó põe o dedo na linha sentir cada fiapinho de madeira invadido as linhas do dedo sentir sentir sanguinho escorrendo e enchendo as linhas do dedo sentir
rococó pavoroso no pórtico bem talhado empoeirado sujeito a asmas, bronquites, fungos, formiguinhas, lagartixa. põe o dedo no rabo da lagartixa carinho corre o bicho amedrontado na madeira. Fica o bicho amedrontado em frente à porta. Voltas duas três gominhos de metal milimetricamente encaixados no buraquinho que espia o corredor pórtico de lagartixas sujeitas a carinhos do bicho temeroso.
Pode sentar. Lama até o joelho. Pode sentar. Subi a ladeira olhando pra cima como quem procura lindas masmorras no alto da ladeira que olhava de cima procurando as mocinhas que produzem chiados e gingam o outono na ladeira que de cima sustenta o prédio que sento. Pode sentar. Meu... Nosso corpo desliza, escorrega, deita sustentado pela ladeira equilibrando-se introjetado de dilúvios empoeirados quer descansar? quer sair quer comer quer praia quer beber quer sentar quer banhar-se o corpo esgotado pulsante máquina conectiva de fluxos-objetos fragmento do nosso corpo pulsante as cartas de amor solavancos dispersões a presença de pathos
faz amor comigo esquinas sublevações inconstantes de armas e rosas e lírios
de febre, de febre de fluxos que queimam
e sobem a ladeira ultrapassam o pórtico afastam a lagartixa lama até o joelho o que quer
o que quer faz amor comigo o que quer faz amor comigo faz amor comigo faz amor comigo quer amor faz comigo o que quer faz amor o que quer comigo amor amor amor amor amor amor amor fica bicho amedrontado em frente à porta. sua calda gelada, dedos colados ao pórtico, pequeno bicho lagartixa. olhos enormes. o terreno das impressões é precário.
Olhos Enormes. põe o dedo na linha do braço entalhado o rococó do corpo entalhado a linha do coração entalhado a linha da alma entalhada o redor do sentar descansar comer beber banhar foder cagar bater bater entalhar entalhar cravar não esquecer não esquecer não esquecer não esquecer


esquecer
esquecer
anestesiar anestesiar anestesiar
dormir não dormir. dormir. dor dormir dormente dor mente .não mente. dor mente. não dormente.
alma entalhada o redor do sentar descansar comer beber banhar foder cagar bater bater entalhar entalhar cravar não dormir não dormir
fique calma. (silêncio). eu sou tu silêncio. voltamos ao silêncio. (silêncio). ( )

sabe a diferença entre um pato e um marreco? ocupamos um espaço minúsculo em meio aos patos ou marrecos porque não sei a diferença entre um pato e um marreco e o bando que se aproximava bicos penas patas coladas a grama enfileirando-se soldados a marcha dos patos ou marrecos enfileirando-se os pathos
enfileirando-se os pathos entalhados em fluxos rococó no braço onde põe o dedo e o sanguinho escorrendo escorrendo e enchendo as linhas do dedo sentir (sabe a diferença entre um pato e um marreco?) tenho medo de bichos aves bicos que entalham fluxos rococó no corpo e pathos que não são marrecos nem patos que é pathos escorrendo sanguinho nos fluxos dos dedos latejantes ferpinhas caco de vidro faca uma faca bem afiada o artista entalhando sua obra prima
não esquecer não esquecer não esquecer não
esquecer
o artista entalhando seu braço, mais levemente seu pescoço, seu tronco, suas pernas, acoplando introjetando dilúvios que são fluxos que são fluxos e objetos que são fluxos de objetos fragmentados e são fluxos de continuidade porque são objetos fragmentados em fluxos-objetos e patos que não são pathos ou marrecos ou qualquer coisa que se veja e dê nomes porque nos fluxos não há tempo de nomear não há tempo de continuidade porque fragmenta-se a pele com a faca abrindo novos fluxos correntezas sangüíneas de viver morrer e já não importa se patos ou marrecos porque os bichos aves bicos entalham sua fome na carne porque querem viver porque já estão quase mortos porque não há silêncio apenas grasnar incessante porque querem viver porque têm fome 


MASNAVI