18 fevereiro 2016

Doce timidez

Sua timidez-íntima-suave-delicada
invade os recônditos da minha animalidade secreta 
em espectros flutuantes-fulgás-fugidios 
que se multiplicam em tons coloridos dançantes 
cambaleantes recortes das nuvens do céu 

Mistérios povoam a doçura dos ventos 
que aliviam em brisa a face romântica 
apaixonada dos amantes, loucos aspirantes 

Poesia, flores, declarações
Sonhos enigmáticos 
Perdição. 
Encontramos-nos delirantes 
Na poesia, 
Em poesia,
Vem poesia. 

MASNAVI

16 fevereiro 2016

Dia de Cinzas

Homenagem a Juliana Romolo 

"Paixão. Só dela cresce o fôlego de um rumo"

Nós gostávamos de pedalar de madrugada 
De descer a Heitor Penteado a 70km/h 
E você tirava as mãos do guidão 
às vezes os pés do pedal 
Você voava. 

Meu coração sempre disparava. Eu sou medrosa, você sabe. 
A gente gritava e gritava. 
Depois dançávamos e prometíamos para nós mesmas que nunca mais esperaríamos tanto tempo para fazer nossos passeios da madrugada. 
Foram 4 ou 5 anos assim; Rio de Janeiro, Guarujá, Campos do Jordão, Paranapiacaba… Sempre de bicicleta. 

Quando comecei o mestrado, encostei a bicicleta na garagem. 
Nós nos desencostamos. 
Você se distanciou um pouco. 

Sempre morri de saudades de você. Pensava em você com longos vestidos e lindos decotes, dançando, dançando. 

Ju, hoje não consegui te olhar nos olhos. 
Não queria vê-la em um lugar tão fechado, nem debaixo da terra. 
Não você. 
… que me ensinou tanto sobre ser livre. 
e um acidente que te faz voar e morrer… 
em pleno carnaval.
há dois dias do seu aniversário. 

Você só podia morrer no carnaval 
Foi dançando. 
Foi feliz. 

E eu… que sempre morri de saudades de você… 
Continuo sentindo. 

Esse mundo é mesmo muito pequeno para você. 

Nós percebemos o arco íris que se formou sob o caixão 

Nossa música preferida: dancing, dancing... 





09 fevereiro 2016

Mar será

É preciso lembrar que há tanta doçura no mundo 
Nos recônditos de portas abertas, 
sorrisos de gueixas discretas 

Cabelos ao vento, banhos de chuva 
Música de resistência
Perdição em tantas curvas

Ri-se de mim, alma leve 
Leve, leve, mar será 
Será que é de mim
que levará 
O lírio dourado de quimeras assaz 

Na calada da noite, hei de buscar
O festim encantado dos corações 

É preciso lembrar que podemos dançar 
No silêncio da noite 
Na brisa do mar 

Corpos ao vento, encantos de lua 
A mística de amor 
Nos ensinará. 

CASTRO