19 janeiro 2016

#33 - Poemas de Amor

Caminho por entre arranha-céus como se fossem pequenas pedras 
aos meus pés 
Gosto de olhar a margem que os separa 
E imaginar o que poderia preencher a liquidez de suas bordas 
É um passo solitário e marginal 
Com intervalo para afofar as nuvens e engolir a saliva 
Fazendo nascer abraços de bolinhas de sabão 

O cantar incognoscível do plumado vivo 
Sobrevoa timbres, lúgrube tom de anoitecer 
Entre o vão aguarda o corpo 
Leve encaixe acizentado do concreto 

Silêncio. 

Parvos entoam ladainhas 
Nas esquinas tortas 
Sentados no chão 

Corpomorfose 
Amanhece bicho
Quatro patas, focinho, instinto 
Sobrevive, enfim. 

CASTRO