29 outubro 2015

Porto Seguro

Você se segura, eu me seguro.
Seguros ficamos, em cima do mundo 
Daqui afastamos
qualquer infortúnio 
Perdemos a graça, 
do nosso descuido. 

Refugiamos-nos no barco
à deriva no escuro 
sem saber navegar 
Afundamos-nos um no outro. 

CASTRO

19 outubro 2015

Para: a cigana

Estirou os braços desenhados e amarrou alto na cabeça um coque. -solta ele, é bonito assim, eu disse. me olhou pensativa e disse que se gostava daquele jeito, presa, no alto da cabeça, pois pesquisara outros tipos de amarrar fios e o coque no cume do cranio era seu penteado preferido. gostava dos cabelos (e relacionamentos) longos num vermelho suave - a largura dos fios permitia a ela esticar nos olhos sua presença do presente até o futuro, e o vermelho suave a lembrava das vivências, das dores e a mantinha viva. -você fica linda de cabelo solto, solte ele pra mim, insisti. ela buscou mais um grampo na gaveta, me resmungou pra voltar daqui dez anos, e terminou de prender o fiozinho negro que se caía por trás da orelha.
Por: http://andarilhadeeu.blogspot.com.br/2015/10/pablo.html

06 outubro 2015

Das afecções pós-modernas

Enquanto é noite
Efetua-se o sagrado silêncio dos vivos
que ancorados em seus redemoinhos 
dormem vazios. 

Seus corpos se levantam, tocam as máquinas 
circulam os fluxos sanguíneos 
das (des) memórias axiomatizadas 
das irrisórias jornadas urbanas

Nossos corpos se deitam, desligam as máquinas 
acionam a aorta torácica em linhas de fuga 
pequenos circuitos de fé 
profundas jornadas interestelar 

Cessamos as ondas eletromagnéticas 
em nossa imanência incompleta e caótica 
Geramos o mundo. 

Nascemos amor. 

CASTRO