11 setembro 2015

Delírio-Deleuziano


Querida,
Nesta noite escura, sob o manto estrelado
Canta e uiva a lua
Nosso corpo misturado 

Religare a-mar-é 
Grandes ondas, baixos rios. 
Corpos brandos, corpos nômades 
Corpos improdutivos da fixação heurística 

organismos vivos 
potências do devir 

Querida,
sexualize-me com o anti-falo interpenetrativo 
goze saliva com o vai e vem da sua língua 
metendo, expelindo a água, o sal e o mar. 

dance lânguidas pernas 
no cruzamento das minhas/tuas coxas 
em minhas pulsões amorfas 
no cio do meu olfato penetrativo 
que encontra suas cavidades engolindo meus dedos 
sôfrega, desejante, 

um corpo sem órgãos 
que produz realidades 
tão incertas, quanto imperfeitas 
tão sinceras, quanto rarefeitas 
Apenas retratos da arte-vida 
do sexo-artístico de materialidades nuas 
você, eu, o espelho. 
atravessando labirintos e criando novos labirintos 
atravessando corpos e criando novos corpos 
esculturas de femininos e masculinos 
invertebrados 
degenerados 

A língua do pau. 
O buraco do dedo.
A riste do cú. 
O movimento. A criação. 


Deusas que somos do nosso desejo sem bordas. 

CASTRO 

"Eu crio um corpo que não perde o devir, um corpo em acontecimento, que é condição de si próprio. Os órgãos se tornam meios de mim mesmo. Abrir as portas do corpo para a vida potente e fechar para as armadilhas” – Luiz Fuganti.