11 junho 2015

Tu, que só existe em mim

PRÓLOGO 

Não me manietei. Dei-me totalmente e fui.
Aos deleites, que metade reais,
metade volteantes dentro da minha cabeça estavam,
fui para dentro da noite iluminada.

E bebi dos vinhos fortes, tal
como bebem os denodados do prazer.

(Konstandinos Kavafis - Fui)

EPÍLOGO

De súbito
O ímpeto 
Submete 
(me) à encarar 
(me) te 
a face narcísica  
de nós. 

tu e eu. 
a luz e a sombra 
do espelho. 

O pulsante é desespero
À fronteira, vive o medo 
E…

Quero-te, quero-te 
Perdida em meus delírios pujantes 
Sedenta da carne 
Desejante.
Reduzida a lampejos e instantes 
tão catastróficos quanto infantes 

Não sacia (me)
A avidez discreta

deste mundo 

E não te tomo 
Porque não existes
Fora de mim (de ti) 

E esse é o segredo mais encantador. 

CASTRO