09 março 2015

zigmunt bauman- amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos

{...} enquanto vive, o amor paira à beira do malogro. dissolve seu passado à medida que prossegue. não deixa trincheiras onde possa buscar abrigo em caso de emergência. e não sabe o que está pela frente e o que o futuro pode trazer. nunca terá confiança suficiente para dispersar as nuvens e abafar a ansiedade. o amor é uma hipoteca baseada num futuro incerto e inescrutável.
o amor pode ser, e freqüentemente é, tão atemorizante quanto a morte. só que ele encobre essa verdade com a comoção do desejo e do excitamento. faz sentido pensar na diferença entre amor e morte como na que existe entre atração e repulsa. pensando bem, contudo, não se pode ter tanta certeza disso. as promessas do amor são, via de regra, menos ambíguas do que suas dádivas. assim, a tentação de apaixonar-se é grande e poderosa, mas também o é a atração de escapar. e o fascínio da procura de uma rosa sem espinhos nunca está muito longe, e é sempre difícil de resistir.
zigmunt bauman- amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos.