29 março 2015

Triste é a noite | Enterrar-se (te)

Todas as noites
Imagino você deitando-se na cama vazia
Engolindo a pílula do sono
Aquecendo-se em mais de dois cobertores
Afastando os gatos para a sala
Vedando o quarto
Ligando o ar condicionado
Condicionando a mente ao esvaziamento 

A noite te chama, você sabe
Fala baixo no teu ouvido seus medos
Abre a cápsula que te protege 
Te deixando ao incosciente 
Ao desconhecido 
Tão estrelado e soturno quanto um universo

E o tempo canta "tic tac, tic tac"
No sangue corre a sertralina, clonazepam, alprazolan 
Amortecendo
Anoitecendo o sangue-corrente-vibrante-passional

Não a de passar, não a de passar. 

Soltando a minha mão
Você sangra e estanca sorrindo-solitária-dormindo-morrendo-caindo.

Triste é a noite

CASTRO