14 outubro 2014

Tu não te moves de ti


Não há descanso na poesia
Assim como não há chave na porta 
E grunhido de pássaros pela manhã 

O silêncio leva a alma 
E nada me move de mim. 

Aqui sou em silêncio
Uma espera, um olhar atento 
Uma gratidão enorme por estar em mim

Estou atravessada, encantada
estirada em sonhos e mais nada 
Ancorada na lírica mais genuína da fonte 
fincada nas nuvens, sem chão, sem pegada. 

Tu não te moves de ti
E tua beleza brota fácil da fonte,
a fonte inesgotável de ti 

Olhe cá, teu espelho 
todo amor que surge por ti, 
de ti 
E verás que tu não te moves de ti

Passará a primavera 
e tuas flores desabrocharão 

Olhe cá, teu espelho
todo amor que se transformará em si 
E verás que acabar-se-a a espera 
Ancorada na lírica mais genuína da fonte 
do amor pelo que há em ti. 

Amor por tudo que não moves de ti. 

CASTRO