12 janeiro 2014

Poemas da Despedida #5

Escrevo para não morrer.

I

- Olhe para o mar, pense em tudo que você gostaria de agradecer a Iemanjá, toda esta beleza que a nossa mãe toca e respeitosamente faça seus pedidos para a sua vida.

Atrás de você, entoei a secreta música cigana em romani. A mesma música que chegou a seus ouvidos no alto de uma praça ao lado de casa, no pôr-do-sol. Neste momento só consegui desejar que seus pedidos transbordassem nas ondas, levando seus medos e culpas.  Para mim não lembrei de pedir nada, mas agradeci estar imersa em amor, aprendendo a nadar... um braço de cada vez, você dizia. Somente os pés devem sair das águas.