13 janeiro 2014

Poema da Despedida #8

Gostaria de ter para onde ir. De segurar sua mão nesta semana importante, de entrevista de emprego. Se pudesse conceber como quero que o mundo se abra imensamente aos teus talentos, veria um enorme castelo de fé e doçura que se ergueu ao nosso mundo.
Gostaria de ter para onde ir. De te lembrar que estou com você para tudo que der nesta vida e que te vejo revelada no emaranhado ensimesmado na bagagem cheia que você leva, vivendo na sala vazia e rarefeita ao som de boa música e vinho. Sempre tão sozinha.
Gostaria de ter para onde ir. De chegar em casa e ver a bicicleta estacionada na garagem, o cheiro de comida e o barulho da rolha que se abre com a chegada soturna. Gostaria que você vivesse aqui para sempre. Gostaria de ter para onde ir.

Castro 



“Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada”. (Vinicius de Moraes)