18 janeiro 2014

Poema da Despedida #18

Alves,
Sabe que as páginas me inquietam sôfregas ao deslizarem uma a uma no meu colo quente. Levantar-se, evitar o cheiro de café, ler seus livros, dar ração aos gatos, esvaziar o cesto de lixo. Aprender a insensibilidade, aprender a anestesia, aprender o desapego, aprender a não ter mais coragem, aprender a embrutecer, a desacreditar, a deixar-se mecanizada, a escrever e apagar, aprender a apagar memórias, dizimar sentidos, a viver menos, a andar com pés no chão, a ter cuidado, a acreditar em avisos, isso e aquilo que me colocam no prumo de um barco caquético e mórbido.