15 janeiro 2014

Poema da Despedida #12

Mortalha 

Compelido de gratidão e miséria
Aqui jaz o mundo
A epígrafe dos dias
- Ao amor

A cova dos loucos
- Aqui jazem os sonhos

E a mortalha dos desesperados
- Aqui jaz a esperança

A estrada que escorre entranhas
E desgraças
Mau agouro dos malvados
Tentação dos invictos

Estende a mão o mal amado
E cai ao chão
Em seu castigo

Rastejante verme que deseja
No semiárido do destino
Invertebrado que fraqueja
A própria sorte, o sofrido.

Inesgotável fonte de querer
Não há terra, nem chuvisco

Não há pasto, nem semente

A tua cova, teu maldito. 

Castro

Os grandes sentimentos trazem junto com eles seu universo, esplendido ou miserável.