04 novembro 2013

Cento e Um poemas de Amor #15 - Castro e Alves

"Não existe amor que não seja um exercício de despersonalização sobre um corpo sem órgãos a ser formado; e é no ponto mais elevado desta despersonalização que alguém pode ser nomeado, recebe seu nome ou seu prenome, adquire a discernibilidade mais intensa na impressão instantânea dos múltiplos que lhe pertencem e aos quais ele pertence." Deleuze 
               
I

Eu sou árvore. Dizia.
Seca e sem frutos.
Sou capitão do barco à deriva
Navego trazendo tormentas
Trago na boca a mortalha sem voz
Dos afinadores de silêncio.
Venho isenta de mim.
Despida de todo devir.
Não desejo, não sonho.
Sou puro servir.
Não sirvo a mim.

II

Querida,
Prepare teu ventre
Em meio a absurdos
Anunciada visita
Carregará a primeira palavra do teu corpo

III

Amor


CASTRO