13 novembro 2013

Acerca da menina de asas

O homem não é nada em si mesmo. Não passa de uma probabilidade infinita. Mas ele é o responsável infinito dessa probabilidade.
Albert Camus

Acerca da menina de asas.


05:40 da manhã. Caminha entre pedras grandes e pedregulhos, machucando os pés em direção ao rio. Senta-se. Molha os dedos. Arrepia os braços. Lentamente vai entrando por inteira no buraco de água gelada a sua frente. Com o rio a abraçando até a ponta de seu nariz. Naufraga. Abandona-se para sempre na imensidão do seu intento de peixe. Suas asas vão abrindo até a outra ponta do rio, como se abraçasse todo peixe, nascituro de desejo consciente, até repousar lentamente à margem. Asas rasteiras e imóveis. No silêncio, adormecia. Via-se indo, indo. Não ia para lugar algum. Ali, imóvel, viu-se movendo, se arrastando, embalada no útero do rio acompanhada de uma calma histérica. 

(a continuar....)

MASNAVI