25 outubro 2013

Prólogo - Cento em Um poemas de amor #13

Prólogo.

Sou Romani, ou simplesmente filha das estrelas. Deixo esta descrição na placa de dizeres que fixaram em cima da minha cabeça e é bom que leia. Em letras menores, nesta mesma placa, deve ter algum aviso de “inflamável”. E é bom que fique atenta as palavras. Não foram afixadas ai à deriva. E se adentrar, nada será como antes. Renasceremos para uma nova velha vida. Uma vida que não será uma vida, mas uma vidinha, assim, bem ordinária. Mas não me confunda. Não sou soma de forças, não sou amor fraterno, não sou amizade desinteressada. Sou demência, querida. Sou viração. Sou um corpo quente que só cala junto ao teu. Um elixir de vida e belezas profundas. Quero consumir e ser consumida até a última gota da tua saliva e quando não houver mais nada, brotará da pedra. Porque também sou campo fértil para qualquer negócio. Despudoradamente cafona sinfonia que samba onde há o ritmo. Sou um pulo. Um céu. Um mar que abre as ondas para te ver navegar tranquila. Tormentas de calma profunda. Quando a calma não é a minha. Não sou de calma. Mas sou de paz. Só não me confunda. Não mistura jazz com bossa, porque sou jazz. Você faz o solo, eu repito o tema, improviso. Respiro progressão harmônica. Danço. E se não sabe dançar, ouve. Olho no olho, mão na mão, corpo no corpo.
Não confunda.
Eu estou de frente, não de lado.

E sou mulher.