29 outubro 2013

Cento em Um poemas de Amor #14

Prologo

Corre ao largo, que tropeça torto e torpe
Ao lago, do que chama ao nome
Quando ao menos pode
Chamar por fome
O que tudo come

E nada some
Quando falo
Amor.

I

Aqui, em frente a ti, eu sucumbo.
Não há um corpo de dois olhos que te veem.
Não há dois braços, estáticos que não movem.
Não há duas pernas, esquecidas, que se encostam.
Eu sou apenas fome.

Sou o invisível inalcançável pelos dedos,
Resisto a tudo, inclusive atravesso a morte
Desde o fruto, frágil semente, até a imensidão que floresce
Sou tudo, estou em tudo e sou toda sorte.

Quando raiz, que brota fundo em terra fresca
Corre solta, livre, livre, livre,
Eu desaguo escaldando a nascente,
Dando vida a tudo que desejo porque sou fonte.

Faço mares, faço prece, faço pássaros
Faço vida que voa além dos membros.
Quando livre sou frágil silhueta
Que dança no útero da própria morte

Sou a calma que te causará tormentas
A brisa que lavará sua alma
A navalha que cortará teus medos
O destino que desejará a eternidade.

Resido entre os vãos de tudo que é matéria

Só existo se me chama pelo nome. 

MASNAVI