11 outubro 2013

Cento e Um Poemas de Amor #12

Traga-me o vinho!
Sucumbi aos excessos muito cedo, senhorita. Não por mau agouro, quiçá nascença, mas porque a alma não deu conta da pequenez.
E a arte, que brotou no coração muito cedo, de vida própria e amorfa, se apropria do outro para existir e renascer. E como se quisesse liberdade. Nesta liberdade desaforada, escolhe os bêbados. Bêbados de coração livre. Bacantes silhuetas que lhe tomam as mãos e dançam, rebolantes.
Certo dia me perguntou o que vi em ti.
Cego que sou de um olho, justamente o olho que mede a forma elíptica das probabilidades do morrer, me restou apenas um olho para ver.  E o órgão tão jocoso, emana códigos de realidade inventada e faz padecer meu coração. Coração que além de cego, nasceu manco.

O que vi em ti. Vejo um pedido, de um olhar que brilhasse. E que esse brilho sustentasse o que de real existe, toda glória (ou horror) deste pedido, ou que ao menos evocasse sua condição humana, que é sublime.  
E que eu acolho. 

MASNAVI