07 outubro 2013

A águia

Como a águia que nasce para o voo
Reconheceu nas asas ancestrais,
O caminho.
Olhou para si e viu-se ave,
Precária e temerosa
Presa em curtas plumas,
E tortas pernas.

Em seu sangue, a natureza
Em sua mente, a condição   

Sozinha, tentou o voo
Sozinha, caiu no chão.

II

Nasceu do ovo, a pobre ave;
Pequeno ovo, um embrião ;
Escondeu-se meses em fina casca
Levou mais tempo, do que os irmãos.

Pediu comida, pediu alento;
Hora atendida, horas em vão
Viu-se sozinha, pequena ave
Achou que era vida, a solidão.

Procurou os sonhos, achou a arte
No misticismo, a ilusão.
Viu-se sozinha, pequena ave.
Achou que era vida, a solidão.

Cresceu no mato, com o cachorro
Achou amor em precisão.
Não quis saudade, nem desencanto
Então fabricou asas de pé no chão.

Subiu os morros, correu na mata
Enlouqueceu na viração.

III

Do que és feita, pequena ave?
Se não de amor e de perdão.
Se vais voar, além do céu.
Mesmo pequena, me dê à mão.


 MASNAVI