15 outubro 2012

Aglutinando-se


Além-mar via-se os pássaros rodopiando sem parar. Planavam junto ao vento, feito coisa pra sonhar. Daqui da areia, imaginava-me bicho, procurando se esquivar do perigo que seria nos encontrar. Quando escrevo a poesia, cada linha tem o seu lugar. E se procurasse a palavra “pássaros”, “areia” e “mar” rimariam de forma torta com qualquer coisa que conseguisse musicar. Foi assim, sem querer, que o ouvido começou a viciar-se nos tons coloridos do piano, da flauta doce e dos latidos do seu lar. Amontoando as peças, as cantigas, os cantos de ninar. O mais profundo da alma infinita, a contradição do místico, a tristeza do seu olhar. Transformou-se em poesia, mais um quadro tão cinzento quanto o ar. Mas falava de amor, tão profundo, que faz o coração paralisar. Coisa triste essa, de cantar, outro banto pra cessar; o que há por dentro nada fora pode transformar. Quando a morte chega não há grito. É o silencio em seu lugar. MASNAVI