20 agosto 2012

A Cidade


Mais uma noite. Aflita, ela abre a janela da varanda para sentir o vento chacoalhando seus cabelos, arrepiando os pelos de seus braços. Ela olha para todos os lados, anda em círculos, senta, levanta e tenta ver o que há de novo na vida dos outros. Nada. Uma escuridão imensa de sua sacada. O que estaria pensando aquela gente toda? De onde viriam alguns gritos tão longe? Quando a cidade toda parece dormir, porque estaria ela sempre acordada. E são calafrios, tempestades, suores, tremores, redemoinhos secretos que retorcem o peito toda vez que cessa a luz. Ela queria descobrir todos os segredos, viver todas as vidas, resgatar todas suas histórias para viver mais vidas do que poderia aguentar. E seu corpo esgota. Inesgotável ansiedade de desejar. E cada vez que ouve fogos, entorpecentes penetram seus ouvidos, alucinando seu desespero e medo de alucinar, embriagando todos os sentidos, fazendo-a rezar. Apague minha luz esta noite. 

MASNAVI