09 abril 2012

Masnavi


"Pra você que amou, amou até o fim; não essa coisa que se esquece com outro, falo de amor pra foder com tudo, veneno em óleo fervente.” Do livro Nego Tudo

Quem te disse o que sou? Se quando sou, estou, mas nem sempre estou; perdida com caminho certo a seguir. Correndo e caminhando, fugindo e parando, sentindo distraidamente toda e qualquer vida. Essa intensidade inerente a minha raça, a minha história, ao meu vazio que também é o seu e a essa porra toda que me faz queimar lentamente até as cinzas do nada e me nega a paz, me nega a prisão, me nega o gozo. A incompletude me faz poesia, me faz música melancolicamente linda, que fala comigo no meu ouvido em gemidos tímidos e me arrepia. E que às vezes fode comigo me batendo na cara, salivando uma orgia de sentidos que me penetra a vulva bruscamente e cega minha mente por segundos de medo e desejo; mas que não para de dizer ‘sou tua, sou tua’. Sou tua. Porque a verdade é que a mentira se confunde com qualquer coisa líquida que se mistura em tudo que há. E quem pode dizer o que há, de fato? Então se eu te disser que te amo, não desconfie. Amo devotamente a poesia de amar e talvez essa seja a única verdade. MASNAVI