26 março 2012

A Réplica


Permaneço imóvel como tela. E ainda que quisesse colorir o branco, seria por traços inimagináveis e ainda obscuros. Enganei-me como artista. Não havia grande obra para ser detalhada a quatro mãos. Vieste portando o estandarte do verdadeiro amor tão cheio de detalhes que ofuscava-me e meus pequenos gestos. Seus quadros não estavam assinados. Não havia artista por de trás das telas afogadas em imensos círculos e traços amorfos, querendo-se perfeitos. Mostrando-se perfeitos. Suplicando “me ame”, “me ame”. Apresentando-se como a virilidade de afeto infinito. Desculpe artista. Não há grandes castelos que se construam em um dia e é assim que as paredes se descontroem tão facilmente em pequenas pedras, flutuantes, neste imenso mar. E era esperado que as portas estivessem sempre abertas. As frágeis promessas não se sustentam no ar. Procuram abrigo em qualquer outro lugar, assim, descartavelmente. Ocupando espaços ocos desta atmosfera ardilosa e sem piedade. Por fim, minha obra se manteve, outrossim, com a mesma ternura e afeto que tornou-se abismo e redenção. 

MASNAVI