22 março 2012

Fragmentos



Aqui – Tulipa Ruiz
“e no fundo, bem no fundo, você sabe como
isso é legal; ver alguém que entenda essa sua transição”

Fragmentos

Catarina,
Preciso voltar. E sem a tua mão, Catarina, nada seria possível. Porque sigo o amor que me ensinaste como farol e vejo que há estrelas caídas que tentam me confundir no negro céu.  Ainda preciso enfrentar este mar furioso para te agradecer pessoalmente pelo respeito, pelo cuidado e pela paz que me ajudaste a encontrar.
Preciso voltar. E não há uma só palavra que me convença do contrário. Foram tantas ondas que me arrastaram até aqui e nunca imaginei que me encontraria intacto. Estamos intactos, Catarina. E se não é o amor que nos deu a vida, não consigo enxergar mais nada que nos manteria vivos depois de tantas prisões. E eu Catarina, só consigo me assustar cada vez mais com os homens.
Tendo a sorte como amuleto, encontrei o poeta e ganhei uma poesia. Guardei no bolso para lembrar-me que há gentileza no caminho e há também amor. O amor do silêncio, o amor que não se anuncia, o amor do estar aqui. O moinho-mundo atravessa-nos como furacão.  E a força da natureza humana escolhida foi devastando com toda sua raiva, as flores, as matas, as árvores... Quando não sobrou nada, vi a vida nua como deve ser. E que sorte a minha contemplar o mar ingenuamente junto a ti poesia. Não há sujeira que se misture a essência de amor. Não há mentira que submerja a poesia. A nudez sempre existirá. E Catarina, sigo nu. Indignado. Preciso voltar. - Masnavi