28 fevereiro 2012

Ir-se


E não reconheço seu tom
Sua forma, seu som
Cobre tuas vestes de névoa
E vai.

Guarda teus trapos e preces
Tecido em fios tafetá
Guarda teu riso em flores
Fica com o que não se dá.

Minha flor, minha flor
Relicário sagrado, de feminino
Delicada vulva
Força e abrigo
Se o encontro é um dom
Então me leve contigo.

MASNAVI

27 fevereiro 2012

Cem Anos de Solidão


Este silêncio tão primitivo,
deixa teus olhos, cada vez mais vivos
Teu corpo denso cala pedindo
o alimento da alma,
caindo do abismo. 

Masnavi

23 fevereiro 2012

A voz Cigana


Prosa cigana
Silêncio na circunstância
Saudade, devassidão e ganância
Doçura, sem fé ou esperança
Semeadura, que não gera
Adulto ou criança.

Trota, cigana
Gira, embala
Tonta lembrança
Embriaga, frágil pujança
Se desnuda,
Para ver semelhança
Em qualquer luz,
Qualquer traço
Em qualquer dança.

Cala, cigana
O que se explica
Não é.
Se repete a constância
O que sobra é universo
O sentir,
Da tua voz, que se amansa
Ao manter-se pra sempre
Nesta mesma distancia.

Masnavi