20 junho 2011

Sem título


E no vendaval sou suave brisa
úmida, fria
chovo paz onde mora teu calor
não sou dada a devaneios
quando não sou da arte
fixo minha raiz
na sombra de frondoso pé
De ilusão.

MASNAVI

Carioca


Venha aqui perto
Beber do meu vinho sagrado
derramando da minha vulva
pedinte
meu liquído calado

embebeda-te do gozo
mata sua sede
no meu suor
corrente
e penetra minhas entranhas
com força
fundindo-me no teu falo
feminino falo
suave e quente

faça-me transbordar,
escorrer
faça-me gemido
alivia-me o desejo
a vontade
de lhe-ter.

MASNAVI

Onegai shimasu


"Arpoador particular"

Doce orvalho
Que escorrega da flor
Sente o aroma
Que a chuva deixou

Derrama na pétala
O doce sabor
A surpresa da vida
E toda sua cor 

Entrega-se livre
A alma sem cor
Infinita doçura
Do chão já brotou.

MASNAVI 

14 junho 2011

Arredia

    Os teus olhos dirão quando esse medo se for. O teu corpo falará o que não poderá mais esconder. Na tua imagem arredia, outros falarão por ti. E aí pode confundir-se entre isso que se entrega e se esquiva. Sobre o que goza e nega. Põe e tira.
    Menina arredia, se põe aqui no meu mundo. Esclarece o que a arte diz, e o que com muita dificuldade deixa em silêncio. Deleita-se do que não foi dito. Usa o que foi. Usa. Tudo. Com maestria. Com poesia. Do corpo se farta. Deixa aqui a tua marca. Cala aqui o teu grito de prazer. Fala. (Bailarina - PKB)

Confunda-me nos teu braços 
quando me entrego e me esquivo
me nega o gozo
quando quero mais
pôe e tira 
teu sexo denso
Deixa em silêncio
Nosso mundo
Cala a poesia
Que nos farta
Com a maestria
de dança fálica 
Penetra-me, 
com a tua alma 
Silência meu corpo
Com prazer. MASNAVI
 

Masnavi x Bailarina I

Cinge a lua,
trás a tua
Castanha forma
De mostrar-me a rua

Pequena estrela,
aponta a gruta
em suave luta
banha-me o mel

Pintam-me tintas
Rodopiam-me em danças
Fazem-me cigana
um rio que desengana

Ouço a voz
O som do vento
Reconheço a voz
É desalento. MASNAVI
 

"Faço de ti o que quiser
Bebe aqui do teu cálice,
Sem vergonha,
Traz pra minha boca 
o gosto do teu suor.
Chegue-se
E me queira.
Beba todo meu cálice
Brinde a ti" - Bailarina (PKB)

06 junho 2011

O gozo lacaniano

"Os teus olhos dirão quando esse medo se for. O teu corpo falará o que não poderá mais esconder. Na tua imagem arredia, outros falarão por ti. E aí pode confundir-se entre isso que se entrega e se esquiva. Sobre o que goza e nega. Põe e tira.
Menina arredia, se põe aqui no meu mundo. Esclarece o que a arte diz, e o que com muita dificuldade deixa em silêncio. Deleita-se do que não foi dito. Usa o que foi. Usa. Tudo. Com maestria. Com poesia. Do corpo se farta. Deixa aqui a tua marca. Cala aqui o teu grito de prazer. Fala." BAILARINA

Bailarina entra na dança, dá-me a tua mão e esperança. Sorriso largo, passo, encanta. Abre os braços com toda pujança. Embriaga-me com teus trejeitos, leva minha alma no teu movimento, deixa a boca no meu umbigo, vem com calma, te dou abrigo. confesso, nada será repreendido. MASNAVI

Como bons amigos


É a minha filha. Coisa mais linda é minha filha.

Ela já foi, minha filha.

Esse daqui é o amor.

Cambalacho, meu cachorro.

Vou cantar uma música para vocês. 
----
Quem não vê a rua, não conhece o mundo
Se não sai de si, não ama
Quem não dá a mão, não reconhece o próprio corpo
E quando cegos, não enxergam suas almas. 

MASNAVI

02 junho 2011

Bailarina


Estou apagando meu cigarro para amarrar as sapatilhas.
Entrando no adágio
te apresento a armadilha
fazendo arabesque para colorir
A minha dança.
Solfejando minha arte
Sem pudor ou esperança.

Á terre, um movimento clássico sucumbe
O meu pás de valse tem critério
O meu ballet tem ornamento
Meu ballet é pás de deux
Tem devant e elancé
Tem o brilho to jouz
Execução de mais um tour

Meu ballet escorre os lábios
Abraça as pernas contorcidas
Solta fogo das entranhas
Faz de mim, desconhecida. 

MASNAVI