18 abril 2011

A pequena história dos insetos


Os ventos que as vezes tiram
algo que amamos, são os
mesmos que trazem algo que
aprendemos a amar...
Por isso não devemos chorar
pelo que nos foi tirado e sim,
aprender a amar o que nos foi
dado.Pois tudo aquilo que é
realmente nosso, nunca se vai
para sempre...
Bob Marley

Poing, poing, poing
Pulava a pulguinha saltitante.
- Olá, pulga, vamos caminhar pelos campos floridos? Disse o piolhinho.
- Ah! Venha você saltar comigo e observar as nuvens, faz um dia tão lindo.
- Não consigo, pulguinha. Gosto mesmo é de tocar nas flores e sentir seu perfume. Correr os campos e às vezes ficar só. Sentir o chão nas patinhas e o gosto das florzinhas.
- Mas aqui de cima você sentirá o vento dos céus, os dedinhos de Deus e eu posso te dar uma florzinha que guardo em uma árvore.
- Venha, pulguinha. Venha experimentar correr.
Então a pulguinha colou seus pezinhos no chão, para conseguir caminhar. Os dois deram as mãos e saíram pelo campo de gérberas. Viram o céu, o mar, as flores. A pulguinha aos poucos saltitava e levantava lentamente o piolhinho do chão.
- Eu acho que tenho medo de altura, pulguinha!
- Mas eu estou aqui para te dar a mão. Posso colar meus pezinhos no chão com o mel de Amor-Perfeito e saltar em passos menores, para aprender mais sobre o campo e a mata. E você pode subir nas minhas costas, agarrar os meus braços e admirar os pássaros que vem e que vão. Podemos construir uma casinha na serra, com teto bem alto, para ficarmos no chão e no ar. Quem sabe assim, nós seremos livres e sem medos.
- Ah pulguinha, você não sabe de nada. Não vê que minhas patinhas são como são? Eu vou correr pelo campo.
- Mas lembra uma vez, no circo, quando ouvimos a música que tocou nosso coração? Lembra que subiste no pula-pula e que tocamos o céu? E você me falou de como os piolhinhos gostavam de mar e que sonhavam em vagar pelo mundo através do pensamento? Pois, podemos vagar pelo mundo, pelas almas e pelo corpo através do amor!
- Ah, pulguinha. Quero caminhar pelas flores.
E a pulguinha desceu do céu, sozinha. Não precisou do melzinho para colar as patinhas no chão. Segurou-se nas gérberas do campo e foi caminhando, de olhos fechados, sentindo o vento em seus olhinhos. Lembrava-se do circo em cada cheirinho de flor. Suas lágrimas semearam mais florzinhas. O campo multiplicou-se. Quando viu, estava caminhando sem dificuldade. Seus pezinhos estavam no chão. Tentou achar o piolho no meio do campo, mas perdeu-se de vista. Já estava longe. Tinha preparado seu caminho de volta há alguns dias.
Então a pulguinha sentou na árvore, num pequeno salto. Pegou um raminho de páscoa e sentou-se frente a uma igrejinha. Ficou alguns minutos observando o branquinho do teto da igrejinha e saltou para cima da cruz. Saltou para o chão e voltou para casa. Foi ler um livrinho e escrever poeminhas. 

Aline Castro