28 abril 2011

Catarina, a Bela


Ela tinha polpa e circunstância
Ela tinha leveza e também a dança
Era um bicho solto, trazendo abastança
Era a alma calada e também esperança

Tinha vestido da cor de nanquim
Rodopiava bonito, feito arlequim
Perfume florido, cheirando a Jasmim
Era pequena, flor de jardim

Trazia afagos e cestas de doces
Trazia canções e muitos acordes
Preenchia o tempo de tantos sorrisos
era a bela, princesa da tribo. 

MASNAVI

Tempo do céu


O vento que se movimenta suave
Traz vida as folhas de inverno
Quem é do ar, voa
Voa leve, sem delongas

Inflando seus balões pelo céu
Armando arapucas de cordel
Escondendo-se às margens das nuvens
Como crianças que correm e sonham.

Insustentável leveza,
Quem toca as nuvens, também conhece o céu
Quem é do ar, voa
Não sem antes caminhar
E saltar sua queda
Temer e até desmoronar

Inflando seus balões pelo céu
Suaves gotas de Amor
Escondendo-se das crianças que correm
E sonham.

Sendo.
Livre. 

MASNAVI

27 abril 2011

O Rio - Marisa Monte

Ouve o barulho do rio, meu filho
Deixa esse som te embalar
As folhas que caem no rio, meu filho
Terminam nas águas do mar
Quando amanhã por acaso faltar
Uma alegria no seu coração
Lembra do som dessas águas de lá
Faz desse rio a sua oração
Lembra, meu filho, passou, passará
Essa certeza, a ciência nos dá
Que vai chover quando o sol se cansar
Para que flores não faltem
Para que flores não faltem jamais

AMÉM!!! 

26 abril 2011

Traçado de Teia


A teia tépida
Trepida, intrépida
Telúrica cerdas
Que tremem
E traçam
O velho galho
Que sustenta o ar.  

MASNAVI

19 abril 2011

Canção - Tempo, tempo, tempo


Tempo, tempo, tempo
Vem e vai o vento
Tempo, tempo, tempo
Vai o pensamento
Pára em você...
Para que te ver?

Tempo, tempo, tempo
Canta o silêncio
Tempo, tempo, tempo
Chove a chuva dentro
Dentro do querer
Para que te ter?

Tempo, tempo, tempo
Quero sol e mar
Tempo, tempo, tempo
É tempo de amar
De amar viver,
Quase sem querer

Tempo, tempo, tempo
Vida leve em tempo
Tempo, tempo, tempo
Se desfaz o medo
Podemos sorrir
Bem longe daqui.
De amar viver,
Quase sem querer.
Para encontrar
Amor.  

MASNAVI

18 abril 2011

A pequena história dos insetos


Os ventos que as vezes tiram
algo que amamos, são os
mesmos que trazem algo que
aprendemos a amar...
Por isso não devemos chorar
pelo que nos foi tirado e sim,
aprender a amar o que nos foi
dado.Pois tudo aquilo que é
realmente nosso, nunca se vai
para sempre...
Bob Marley

Poing, poing, poing
Pulava a pulguinha saltitante.
- Olá, pulga, vamos caminhar pelos campos floridos? Disse o piolhinho.
- Ah! Venha você saltar comigo e observar as nuvens, faz um dia tão lindo.
- Não consigo, pulguinha. Gosto mesmo é de tocar nas flores e sentir seu perfume. Correr os campos e às vezes ficar só. Sentir o chão nas patinhas e o gosto das florzinhas.
- Mas aqui de cima você sentirá o vento dos céus, os dedinhos de Deus e eu posso te dar uma florzinha que guardo em uma árvore.
- Venha, pulguinha. Venha experimentar correr.
Então a pulguinha colou seus pezinhos no chão, para conseguir caminhar. Os dois deram as mãos e saíram pelo campo de gérberas. Viram o céu, o mar, as flores. A pulguinha aos poucos saltitava e levantava lentamente o piolhinho do chão.
- Eu acho que tenho medo de altura, pulguinha!
- Mas eu estou aqui para te dar a mão. Posso colar meus pezinhos no chão com o mel de Amor-Perfeito e saltar em passos menores, para aprender mais sobre o campo e a mata. E você pode subir nas minhas costas, agarrar os meus braços e admirar os pássaros que vem e que vão. Podemos construir uma casinha na serra, com teto bem alto, para ficarmos no chão e no ar. Quem sabe assim, nós seremos livres e sem medos.
- Ah pulguinha, você não sabe de nada. Não vê que minhas patinhas são como são? Eu vou correr pelo campo.
- Mas lembra uma vez, no circo, quando ouvimos a música que tocou nosso coração? Lembra que subiste no pula-pula e que tocamos o céu? E você me falou de como os piolhinhos gostavam de mar e que sonhavam em vagar pelo mundo através do pensamento? Pois, podemos vagar pelo mundo, pelas almas e pelo corpo através do amor!
- Ah, pulguinha. Quero caminhar pelas flores.
E a pulguinha desceu do céu, sozinha. Não precisou do melzinho para colar as patinhas no chão. Segurou-se nas gérberas do campo e foi caminhando, de olhos fechados, sentindo o vento em seus olhinhos. Lembrava-se do circo em cada cheirinho de flor. Suas lágrimas semearam mais florzinhas. O campo multiplicou-se. Quando viu, estava caminhando sem dificuldade. Seus pezinhos estavam no chão. Tentou achar o piolho no meio do campo, mas perdeu-se de vista. Já estava longe. Tinha preparado seu caminho de volta há alguns dias.
Então a pulguinha sentou na árvore, num pequeno salto. Pegou um raminho de páscoa e sentou-se frente a uma igrejinha. Ficou alguns minutos observando o branquinho do teto da igrejinha e saltou para cima da cruz. Saltou para o chão e voltou para casa. Foi ler um livrinho e escrever poeminhas. 

Aline Castro

14 abril 2011

A quem confiar minha tristeza





Dispara o ritmo cardíaco
Em descompasso à pressão
De um corpo sem compasso, arrítmico
Em uma mão, sem pulsação.

Caem tímidas gotas de água
Temerosas da erupção
São silenciosos rios de mata
Tempestade sem previsão

São delicadas chuvas desfloradas
É a própria revelação
O amor que semea, planta e cava
Desabrocha a flor que morre ao chão

E qualquer loucura, desvairada
Se perde em meio a escuridão
Branca alma, entregue espada
Pode matar meu coração. 

MASNAVI

11 abril 2011

Fragmentos da Rosa


E a áurea travestida de energia
Perfumada como a alma em alegria
Transborda o mel fértil das flores
Multiplicando suas cores
E fazendo crescer seus amores
Mais gentis.
Simplicidade desta vida mediana
E a mão que ainda te chama
Para repousar teus medos
Abrir os teus sentidos
E abraçar-me em Uno movimento.
O livre movimento de amar. MASNAVI

01 abril 2011

Noturna


O orvalho que cai de suas pétalas
Tem o cheiro adocicado de flor
São como lágrimas,
Palavras secretas,
A raiz que o chão apagou

Quem acolhe, recolhe os espinhos
É a luz que te abre os caminhos
A lembrança de Amor-Perfeito
É o tesouro que se guarda no peito

Agora que se faz primavera
Desabrocham suas primeiras pétalas
A luz que antes era destino
Cinge um lindo sol reluzindo
E as pétalas orvalhadas
Podem semear jardins.

E a flor multiplica-se em cor
Amor-Perfeito de todos os tons
Seu aroma alcança o céu
E faz sorrir o velho coração que te vê
E que te faz flor.