30 janeiro 2011

Abrigo


Dá-me a mão
Toca-me o peito
Olhe nos meus olhos e transborde
Tocarei a tua angustia
Afagando-lhe a face
Clara ou sombria
Do teu coração.

Traga-me tudo.
Humanamente.
E seremos livres
Como um Sinto.

MASNAVI

27 janeiro 2011

Temporalidade

Enfeites de ouro
Cintilam brilhantes
Minhas vestes perdidas
Como diamantes.

Ainda que parte de mim
seja Nada
Quando Somos
Comungamo-nos ao Todo
de sombra e de luz

Inevitável não fundir-se
às estrelas
transformando-se em alma
líquida
derramando-nos, desfazendo-nos
Sumindo no ar.

E a vida é o simulacro
Deste Existir.

MASNAVI

Os Sintos - Prosa Cigana

Sou um Sinto
Talvez de Paris,
De Uttar Pradesh
Levando meu carroção
Na vida.

Filho das estrelas
Sigo meu Guia
Sorte e Destino
Do que já existia.

Estive antes, estou agora
E amanhã.
O Sinto caminha
Querendo Existir
Tropeçando em espelhos

Até ser revelado
Olhando pra si.

MASNAVI

23 janeiro 2011

Primavera

Procuro fitas de cetim
Para tecer meu véu antigo
Costurando como teia
O infinito e um abrigo

Quero tocar-te panos úmidos
Purificando-me da ânsia
Caminhar por mesmos rumos
Do coração e da bonança.

Conheço os segredos
Mistificando-os entre os dedos
Fazendo mágica do corpo
A expressão por entre os membros

Desconheço os sentidos
Que trafega meu destino
E da nau que carrega
Nossa alma

20 janeiro 2011

Conexões acausais


Entre um e dois,
Não há números

Somos silêncio múltiplo
Da nossa imensidão

Consideramos todo ar,
Todo fogo, toda coisa em si
Cegando ou invadindo
Toda ânsia, em si

Livres, dentro da própria prisão. 

MASNAVI