30 junho 2010

Sombras de nós mesmos

Esta paciência para com o obscuro sentido de nossas vidas é atípica em uma época como a nossa, marcada pela impaciência com o vazio da vida. Fingimos que sabemos o sentido de nossas vidas, vendo-o como sendo o "avanço" ou o "progresso" técnico, ético e social. Para cada avanço, um afeto se esvazia sob o dilaceramento das relações (burocratizadas) que se dissolvem no ar. Os afetos e não as ideias nos humanizam, e afetos não são passíveis de uma geometria do útil.
A medicina de Tchekhov - Luiz Felipe Pondé - Folha de S.P. 28 de Jun/2010


E procuramos nossas sombras
em calabouços de ouro e diamante
Desesperados para abrir as janelas
Enganados pela beleza
que só existe lá fora

Somos reluzentes de prata
Torres de bronze
com imensas colunas
trêmulas
Que se sustentam
No ar

Do alto de nossas almas
Nos jogamos sem coragem
Com os olhos fechados
O vento nos toca a face
O toque nos dá o sentido.

MASNAVI