28 junho 2010

Poesia em três tempos

"Meus olhos se escondem
Onde explodem paixões...
E tudo que eu posso te dar
É solidão com vista pro mar
Ou outra coisa prá lembrar..." (Marina Lima)


1o.

Olhos abissais, persas
Pescoço sutil, energia feminina
Sutil.
Identidade misteriosamente traçada, sutil.
Olhar.
Troncos e membros complexos.
Harmoniosamente, sutis.

Sacia a própria sede
Bebe o próprio sangue
Entorpece os próprios sentidos.
As noites são como dias escuros

Desperta-te, luz, em vigília
Amplia-te a luz, alquimia.
Abraça-te, volúpia
Tira-te, o sexo

Distancia-se por segundos
Abandona-se por momentos leves
Senta-se ao seu próprio lado e olha-te
Do avesso

O que há dentro senão
O que de fora, se leva
O que, de dentro
Se empresta
O que, do avesso
Se rouba
O que, de dentro, engana

Haverá ali fragilidade maior que a beleza?

2o.


Ávida
Não toqueis o meu corpo impulso
Se o queres perdido em teu fogo
Sabes tenho-te já pronta
No escuro de um dia chuvoso

Simula o ar

Só sei você
Seu nome
Em lava
Derramando-me
Em delicados gestos

Silencia o ar

Coloca-me frente ao espelho
Quero ver meu corpo
Espelho – tocá-lo com os olhos
O nu do espelho das almas
O nu de silenciar, no olhar.

Sublima o ar

3o. 
...