26 maio 2010

Carta a Lou Salomé

Uma felicidade toca, floresce ao longe,
Alastra em volta da minha solidão
E procura tecer para os meus sonhos
Um enfeite de ouro.
E ainda que
A minha pobre vida esteja gelada de madrugada
Inquieta e neve dolorosa,
A hora santa virá para ela,
Um dia, da sagrada Primavera......

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Nunca te vi, que não tivesse o desejo de te rezar. Nunca te ouvi, que não tivesse o desejo de acreditar em ti. Nunca te esperei, sem o desejo de sofrer por ti. Nunca te desejei, sem ter também o direito de me ajoelhar à tua frente. Sou para ti como o bastão para o caminhante, mas sem te apoiara. Sou para ti como o cetro é para o rei, mas sem te enriquecer. Sou para ti como a última pequena estrela é para a noite, ainda que a noite mal a distinguisse e ignorasse a sua cintilação.


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Tapa-me os olhos: ainda posso ver-te
Tapa-me os ouvidos: ainda posso ouvir-te
E mesmo sem pés posso ir para tí
E mesmo sem boca posso invoca-te.
Arranca-me os braços: ainda posso apertar-te
Com meu coração como com a minha mão
Arranca-me o coração: e meu cérebro palpitará
e mesmo se me puseres fogo ao cérebro
Ainda ei de levar-te em meu sangue.

Rilke

25 maio 2010

Em Nome da Rosa


Minha pequena rosa
Abre-se em pétalas de cor avermelhada
Esparrama-se com sua forma aveludada
Contorcendo-se docemente
Frente ao sol

Com gotas em punho
Derrama-se em fertilidade
Faz brotar variedades
Um jardim inteiro,
livremente
Para unir-se, finalmente
Ao seu mar 

MASNAVI

11 maio 2010

Verdade de si


E há no fundo uma verdade infinita, tão rica quanto profunda. Nela não encontraremos um barbudo sentado dizendo para onde ir. Saberemos para onde ir, voltando; apenas.

06 maio 2010

Mãe

Quando nasce
Não se quer voar. Aprendemos a ser como.
Observamos atentos seus tons, suas cores vibrantes, seus afagos.
Quando nos deparamos com nossas...
Imensas asas,
Nos espelhos de sua face,
Não queremos mais voar.

Procuramos imensamente a maternidade
Entre nós.
Em mães que fomos, mães que somos, mães que perdemos, mães que nascem das mãos de quem não é mãe.
Procuramos imensamente o amor,
A felicidade, a proteção

Nestes caminhos giratórios,
Cheios de percalços, deixamos de sonhar com vôos.
Não queremos mais voar.
A vida nos permite abrir os olhos e ver;
Ver com olhos que enxergam de verdade

A felicidade encontra-se aqui,
Neste lugar
Em vôos mais altos e mais distantes;
Vá, minha borboleta, voe. 

MASNAVI