09 fevereiro 2010

Dicionário de si

Recebo as palavras e quase posso ouvi-las no canto do ouvido, quando fechos os olhos. Algumas palavras soariam diferentes, com algumas pausas que você faz quando as diz. Nunca sei se as interpreta ou se dá pausas para conseguir pensar antes de dizê-las. Às vezes me imagino em uma grande história, pois estas pausas só surgem quando o assunto é doloroso ou quando você fala de si mesmo. E quando fala de si mesmo é como se também escutasse suas próprias palavras tão desconhecidas também para si, então repensamos juntos e vamos tateando outros inúmeros caminhos que acabam sendo a nossa história e esta história não teve tempo de ter fôlego para abrir, construir, reconstruir e vir-a-ser os grandes sonhos. Talvez porque os sonhos sejam sempre sonhos e a vida é mais concreta. E para SER é preciso ser. E para ser real é preciso honestidade e para construir é preciso naturalidade, impulso, vida e paixão. E sento-me na cama todos os dias antes de dormir para saber qual palavra no meio destas não existiu no meio do caminho. Enquanto no meu coração o vocabulário se estendia e surgiam palavras como compreensão, compaixão, intimidade, alegria...
Talvez escrever poesia seja sempre uma vertigem. O poeta acaba acreditando que a vida pode ser assim, em duas ou três palavras ‘encontraram-se e apaixonaram-se’; ‘encontraram-se, apaixonaram-se e foram felizes’.
- Porque você me ama?
E haveria uma lista infindável de dizeres.
Você preenche a existência, além de ser meu primeiro pensamento quando acordo.
Talvez os grandes amores se conheçam no metro, sem palavras, sem histórias.

MASNAVI