13 janeiro 2010

Tratado do Amor

E você se foi levemente, como se arrastasse flores num imenso jardim, assim, se despedindo entre sorrisos e abraços. Era como nuvens azuladas e branquinhas, pairando em um céu imenso. Não, não. Eu não pude ser assim. Na poesia que escrevemos havia muito mais cores e muito mais sabores que um simples azul e branco. E soava esta oração de lembranças com tantos dias, tantos sorrisos, tantas portas se abrindo, tantas mãos dadas em ruas sem cor, pois dávamos o tom do universo e o drama da poesia agora resumido a páginas e páginas de chuvas de palavras.
Dentro de nós um espaço imenso, capaz de acumular bocados de nós mesmos, tão perfeitamente acomodados que não havia espaço para ontem, nem para escuridão, nem para a dor, muitos menos para a descrença; porque sim, acreditávamos na palavra, no poema e na promessa. Mais que isso, na banalidade cotidiana de abrir e fechar portas, enxurgar-se nas toalhas, passar roupas, entrar no carro, pegar no trabalho, rir-se da vida sozinhos, lembrando-se de nós, sempre, carregando-nos onde quer que estejamos impossibilitados de não-sentir. MASNAVI