13 janeiro 2010

Tratado do Amor I

Primeiro me veio o golpe, em seguida a palpitação.
Nas manhãs de domingo surgiram novos dias, coloridos, ensolarados como o verão. Passaram por mim crianças, velhinhos, carrinhos de bebê, bicicletas; e eu contemplava no ar, as sensações que habitavam em mim. Nada me faltava, havia vida, sol e grama verde. Lembro-me bem da manhã seca que o sol não quis nascer e que te vi ausente.
O chão frio foi sentido pelas pernas e punhos que se apoiavam na escadaria. Eram longos degraus de vermelho intenso e havia também uma árvore fazendo sombra em minhas costas. Já fazia muitos anos que ali estava e permanecerei intacto, como parte da natureza. Esperarei às 17h, ao entardecer e será eterno.

A presença da tua ausência me faz companhia ao levantar, caminhar, viver e são as coisas do sentir que aniquilam e fazem nascer toda dor de amor que habita em mim. E fui amada como poesia e sonho, assim metafísico, sem ares de realidade. Quando todos pediam por menos, nós pedíamos por mais e mais. Pedíamos por amores ainda maiores e mais sedentos de doçuras, de promessas, de palavras. E nos amamos para sempre nesta poesia de vida, nos juramos eternos, nos bastamos nos tempos e a verdade é que nas vinte e quatro horas do dia eu só queria o sorriso da tua presença. Não era necessária a plenitude dos juramentos. O tempo também me apertava o passo e me fazia temer. E eu temia que você também não me bastasse, que nosso projeto fosse por demais grandioso e que a obstinação do além-limite nos fizesse viver eternamente em loucura e a nossa loucura era pouca para tudo que queríamos. MASNAVI