11 janeiro 2010

A saborosa história de nós dois

Queijo com goiabada

Nasci queijo de coalho. De renda. Branquinho como neve secando ao sol do sertão. Ao som da fazenda. Salgadinho desmanchando na boca. Com quantos mimos me fizeram. Meus pais agricultores, agridoces, de vida, analfabetos. Temperaram-me no alho. Um olho no aboio, outro no coalho. Nada de passar do ponto. E assim cresci, achando-me pronto. Rei do sertão, força do cangaço. Me dei com pão, cuscuz, feijão, carne de sol e até melaço. Insumo de cana, álcool e açúcar. E com sal, então. Que ácida mistura. E a vida assim corria. Entre sabores fortes e fracos. Até que um dia... ou seria noite, linda e coroada, apareceu uma moça de sotaque engraçado. Era de fora, ora de dentro. Bonita. Delicada. Da vida encantada. Doce feito mel. Motivo da boca ter céu. Era ela. Tão sonhada. Minha amada goiabada. (T.)