18 dezembro 2009

Ramalhete de flores aos deuses II

Ramalhete de flores aos deuses

"A dor cessará por completo. E o amor, enfim, tomará seu lugar. As estrelas contentes incitarão a lua, rechonchuda, a brilhar. Estás aqui, meu amor. Entre céu e terra o nosso encontro se dá. Rosas e jasmins abrirão espaço para o deleite, para os abraços. O sexo e a alma, em devassa comunhão, poderão se perpetuar. A natureza nos reserva um templo e um tempo. Meu segredo, meu orgasmo, meu cordeiro. Te tomo e só assim me salvarás."
“Nunca vou esquecer de ti, nem por um segundo”. (Anônimo)

E se forem estrelas?
E se formos infinitos? (Masnavi)

Da semente, a água.
O fluído contínuo do Umbuzeiro, vigoroso, ancião.
Do pé a copa, cobria-me de folhas imensas, vigorosas. Fazia sombra a minha contemplação.
Gosto do vento que bate no meu rosto, enquanto o sol queima meus pés e sigo pensando na vida, no ir e vir do dia.
Entre gravetos, o pássaro abriga-se em amplo verde. Sinto seu peso leve na minha perna, atravessando-me como se eu fosse apenas parte da natureza. E sou.
E o silêncio reverbera em minha alma. Momento estático de ser.
Ao avesso, vislumbro as entranhas, as vísceras, os ossos e músculos. Não há espanto. É simples compreensão.
Sempre vi esta grande imagem, subserviente ao meu grande Deus. Eu sou. Eu sou. Eu sou.
E posso escolher entre o veneno e a dor.
Aprendendo a não ser deus.
Quem salvará minha alma? (Masnavi)