21 dezembro 2009

Fragmento da história sem começo

E se fossemos fortes, colossais, grandiosos. Nossas grandes cabeças seriam legitimas e nossas palavras seriam de pequenez. Não haveria confeitaria de nós mesmos para gulosos insaciáveis, tão famintos quanto nós por grandes olhos, de buracos imensos. O reflexo nos revelaria a imagem de alguém e finalmente saberíamos: ‘somos’. E estamos imersos na fonte, tentando nos banhar. Inutilmente, tomamos a água dos outros e dizemos compartilhar.
Diante de tanta maestria de pequenos caules e copas, não conseguimos nos enxergar. Imaginamos-nos ainda maiores. Uns maiores que os outros. (Masnavi)