14 setembro 2009

Em todo lugar...


Caminhando lentamente,

de olhos baixos


cimento, cigarros, escarros

sujeira, pernas, sacos


caminhando lentamente,

braços soltos...


um abismo em cada passo.


Um milhão de movimentos recolhem as cinzas de mais um dia perdido. Um milhão de pessoas passam sobre os ombros, como luzes ofuscando uma calçada longelinea. E eu também ofusco a multidão. Sou dois e muitos no dia que não sou.

Há muito espaço entre um e um.

Mão escorregadia no deserto. Cheiro de pó e pedra.

E existe este lugar.

Este outro.


(em silêncio)

Somos demais humanos.


Aline