04 setembro 2009

Da brevidade da vida

Milhares de letras surgirem e descrevem cada linha dos afazeres necessários para a completude. Milhares de letras viram pó diante de cada dia que surge. Quando olho para baixo, vejo duas mãos e só nelas vejo as possibilidades.
Há um espiral gigante que de tempo em tempo me faz voltar ao mesmo ponto. Cabe a mim, querer voltar sempre diferente. Há uma Terra finita e um universo infinito dentro de cada célula de minhas mãos. Volto, todo universo aqui está e só posso ser grato por isso. Todos os dias há 35 escovadas nos dentes superiores e mais 25 nos dentes inferiores, depois um banho e uma roupa, um trajeto e um trabalho. Além disso, há muito pouco objetivamente.
Nestes segundos de luz entre milhares de anos de escuridão de estrelas faz-se necessário ascender e desprender-se de si para tornar-se livre. O amor é fonte única de liberdade. É o vento que abre as janelas e descortina os medos, levando tudo, dando-nos a possibilidade de querer mais. A leveza requer desprendimento de si, exercício e compaixão. A densidade é um rio amargo que afoga apenas aqueles que não sabem nadar e imaginam que são corajosos e cheios de si, todos iludidos por seus corpos fortes e gigantes. Eis que surge o pequeno alheio que a cada dia move um terço e promove a fonte límpida de verão. Não há peso na delicadeza. Só há felicidade quando olhamos uns aos outros, livre de si.
A vida é finita e seu fim está sempre próximo.

MASNAVI