11 setembro 2009

Carta de um marinheiro X

Natal, sem data

Hoje escrevo para mim mesmo e dentro de mim, onde tu habitas chegarão devaneios de toda sorte. E sei que tudo será verdade.
O tempo acomoda todas as almas e todas as cartas que naufragam por mares serenos. As minhas, faço questão de honrá-las.
Preciso da embriaguez, da lucidez, do mar, da lua e do sol. Não me contentarei com pouco desta vez. Sinto-me tomado pela ansiedade das crianças, um sentir compulsório tomado de beleza que já não sei se inventada e deus parece fingir que não me ouve pedindo e pedindo que venhas, que sejas real, que exista minha verdade inventada e que o mundo se ilumine de prata para que caminhemos.
E que mundo é este recriado de abismos? Admirando feições de qualquer movimento, escravo de toda beleza, ainda se assim não for a realidade paralela, qual seria a realidade então? E quando encanto outros olhares, sei-me devoto de desejo único escondido na secretude de meu olhar perdido, movimentos conscientes e discretos. E todos os pensamentos cheios de expectativas que não tenho coragem de anúncia-los, pelo medo acreditar tanto neles a ponto de matar essa parte de mim que não aguentaria vê-los mortos. Seria um caminho sem volta, sem tamanho, sem saída. Então invento que não devo esperar, pois assim seria mais silencioso e calmo. Quando menos espero, encontro-me tecendo grandes castelos, casas, ilhas, sonhos e já me perco em mim novamente, admirando feições dos teus movimentos, escravo de toda beleza inventada e devoto de desejo único escondido em tudo que é meu. Entregue em tuas mãos.

MASNAVI