28 setembro 2009

Canção das coisas sem nome


...Como se, de longe, me lembrasse um voto de lealdade. Como se me dissesse que há uma terra, mas nós não a encontramos. Despedaçados, fomos atraídos pela luz e ao chegarmos, havia um pântano escuro e o céu desceu sobre nós. Passamos a carregá-lo como fardo. E eu lhe peço “Reze, reze por mim”.
...Como se, de longe, me lembrasse um sonho. E então com os olhos fechados, chego a mim, em segredo. Revelo outro caminho, trêmula e vejo a luz. E nos teus olhos, vejo meu reflexo semeando como flores um jardim solitário. Caminhando, vejo alguns botões de rosas escondidos em meio a tanto mato. E para cada morte, uma epígrafe e um deus.
E tu encosta-te no murinho, olhando a areia batida e todas aquelas casinhas, comércio, atrás dos teus cabelos, e no horizonte, água, alguns barquinhos e mais mato. Tu me mostras teu jardim, tal como é. E todos os deuses cultuados, cada qual ao seu rito, te acompanhando em todo canto, no fundo deste olhar perdido. Lá te acho. Contemplando.
...Como se, de longe, me lembrasse um voto de lealdade.
E teus olhos viram estrelas, teu coração vibra como um violoncelo em nota sóbria, teus olhos regam aquelas flores e os deuses dançam sob suas lápides, tu lhes dá a mão e a música que lhes envolve...
...Como se, de longe, me lembrasse que eu existo.
Quando falas do amor, os deuses dão-lhes as mãos e riem-se de mim. Quando falas de entrega, volta-lhe o passado e tu te entregas, tu afastas todos os deuses mortos e ajoelha-se em frente a si. Por um segundo o céu paira silencioso. E eu já não preciso estar lá. Não é o meu silêncio.
Então rezo por mim. (e meu jardim fértil, vazio). MASNAVI