28 agosto 2009

Rilke - Cartas

"Permaneço no escuro como um cego
Porque meus olhos não te encontram mais
A faina turva dos dias para mim
não é mais que uma cortina que te dissimula.
Olho-a, esperando que se erga
esta cortina atrás da qual há minha vida
a substância e a própria lei da minha vida
e, apesar disso, minha morte.
Tu me abraçavas, não por desrazão
mas como a mão do oleiro contra o barro
A mão que tem poder de criação.
Ela sonhava de algum modo modelar –depois se cansou,se afrouxou
deixou-me cair e me quebrei.
Eras o que conheci de mais terno e mais duro com que tenho lutado.
Eras a altura que me abençoou –te fizeste abismo e naufraguei." (RILKE)