03 agosto 2009

Girassol

Este é o início. Assim, simples, seco.
Assim, como ele me veio. Navalha que corta a carne, cegamente. E parecia ter vindo a mim, como se fosse unicamente meu. Essas ondas, do meu corpo-mar que se chocam na encosta e se lançam na areia. Arrastam tudo para dentro de mim.
E acabam por arrastar a mim mesma.
Agora vejo-me girassol, amarela como quente-corpo, formando imensas chuvas de colisão com corpo-mar. Assim sou procela no imenso céu e ocupo todo espaço invisível de existir. E chovo em pétalas de planta viva que sou, acariciando cada matéria sólida que encosta na curva longilínea da minha forma, de minha alma-pena que dança no ar.
Mergulho no chão e crio raiz. Sei-me destino seguidor de sol. E não importa o tempo que faça do lado de fora, a seiva sabe para onde guiar meu tronco rígido, antes do nascer do sol, como se fora devoto de origem. Da minha origem viva.
Hoje sou.

MASNAVI