05 agosto 2009

Dãnae de Zeus

Dãnae, visita-me em sonhos esta noite
Suplico-te
Quero meu nome Zeus, vocalizando sons em tua boca
Sentir teus suspiros lânguidos em minha nuca
Tua voz 'Zeus, chova em mim o teu ouro'
Ver-me transformado em nuvens úmidas
Pingando em teus seios macios
e derramando-me em tuas coxas pálidas
que devoram meu falo rígido

Escuto teus gemidos tímidos
Teu gosto de orvalho em minha boca
E madeixas que jogam-se na terra, ao chão
Quase silenciamos a vida,
Nossas almas, semi-deuses no limbo

Delicadamente olho-te, minha vulva
E me vejo sem sexo, sem forma
Somos nuvens no ουρανός
Vento, no Kandahar
Dãnae, suplico-te
Dá-me teu sexo

Tu em Pyrgos,
Eu em Creta,
Vens, Dãnae
Com vestes floridas e arranjos de moça que és
Neste jardim de primavera, habita todas as belezas
O vinho e a luz
Não há o que fazer com tudo isso, se não estas aqui.
E, se estas não preciso mais de nada

Quando estivermos sentados no Olimpo
Tu e eu, não mais separados, vivos, enfim
As estrelas virão contemplar-nos
E nós lhes mostraremos os caminhos
a magia e o Segredo

Em êxtase, multicores nos pintará as faces
E tu, que me conheces
Diz quem sou
Sou tu, Dãnae

Somos um. - MASNAVI