18 agosto 2009

Cartas de um marinheiro...

Amada Catarina,

Já fazem alguns dias desde que deixo para trás São José de Ribamar e tuas madeixas douradas de sol. Este navio, que segue para mais uma cidade, navega quase sem rumo, sem direção. Não paro de pensar naquela gruta celestial que testemunhou os encantos de meus olhos em tuas madeixas, Catarina.
Não era a primeira vez que me entorpeci com tua fragilidade e beleza, mas desta vez foi diferente. Desta vez, tu também olhou para mim. Tu sabes que não sou bom com as palavras, mas faço delas meu refúgio. Sinto-me sozinho com tanto mar e nunca me senti preso a nada, tu bem sabes. Sou espírito livre, desbravador. Parece que naveguei todos estes anos de vida para atracar no Maranhão e reconhecê-la como minha casa. E agora, Catarina, navego tendo para onde voltar.
Aqui em frente, além de mar, vejo teus olhos verdes, de rabiscos desencontrados, desenhados para encaixar em tua pele branca e teu nariz angulado que harmonizam com as madeixas que me faz tremer. Quero o sol do Maranhão e a areia branquinha que dorme absoluta diante de coqueiros gigantes. Só tu, Catarina, pode me trazer para a vida.
Hoje às margens do Rio Parnaíba, chegamos no Piauí e fomos recebidos por mocinhas no cais. Tu sabes, Catarina. Fui incapaz.
Tenho em mãos o teu bilhete de letrinhas desengonçadas e é tudo que guardo junto ao corpo.
A mim, cabe somente este bilhete.

(MASNAVI)