29 agosto 2009

Carta de um marinheiro VIII

Catarina,

Prometi não desejar tuas cartas. Confesso, as desejo, mas sou bom fingidor. Amanhã vou nascer às 9h30 da manhã e espero nascer robusto, forte e sem dor. Não sou bom com aniversários, acho que por não estar acostumado a tanta atenção. O dia tocou meu rosto atrapalhado logo nos primeiros horários e eu me encontro à deriva de um dia tão festivo. Pareço sentir sono e ai não consigo prestar muito atenção a minha volta. Recolho-me aos meus sonhos.
Hoje deixo Natal e passarei minha nova idade em João Pessoa. Sinto deixá-la, mas assim me foi pedido. Minha tia veio visitar-me e partirá comigo até a próxima cidade. Ela foi necessária em minha infância e é alguém revestido de muito alegria. Pediu que eu abrisse um sorriso de dia especial e que vestisse o uniforme mais novo do meu baú. De prontidão, saimos a embelezar-me as faces e a alma.
Quando for meia noite e a ansiedade por meu nascimento iniciar, tu sabes onde vão meus pensamentos...

MASNAVI